No dia 26 de Março o canal de televisão “Discovery Channel” apresentou um documentário chamado “Engenharia Extrema”, discutia como fazer para que cidades tão populosas e superdesenvolvidas criassem mais centros comerciais e residenciais. O maior problema dessas cidades é a falta de espaço e a própria cidade de São Paulo é exemplo disso e, por enquanto, a solução são os inúmeros prédios que estão surgindo. Mas como será no futuro quando não houver espaço
para a expansão dessas cidades?
O documentário cita a cidade de Chicago, que assim como São Paulo futuramente estará enfrentando o mesmo problema. Entretanto algumas soluções já estão sendo apresentadas e a mais audaciosa é a que consiste em um megaespaço subterrâneo, uma nova cidade
por baixo da terra onde existiriam centros comerciais, residenciais, ruas, avenidas, áreas para lazer, etc. Parece loucura, foi o que eu imaginei também, mas curiosamente no dia seguinte assisti ao filme “Metrópolis” de Fritz Lang e cheguei à uma conclusão de que não é impossível. Porque se a arte imita a vida, a vida também pode imitar a arte. Contudo alguns pontos de vista devem ser levados em consideração comparando a ficção e a realidade.
A Proposta de Fritz Lang
O filme mostra uma megacidade dividida em duas. Uma parte era constituída de enormes prédios iluminados, o maior de todos se parecia com a Torre de Babel e era onde ficava o administrador da cidade. Haviatambém clubes, estádios, viadutos e carros para todos os lados. As pessoas eram de alto poder aquisitivo e não trabalhavam, desfrutavam do lazer em cassinos e bordéis, seus filhos eram criados em um lugar parecido com o Jardim do Éden. A outra parte da cidade era subterrânea e chamada de “Cidade dos Trabalhadores”, um lugar com construções de prédios apenas para a moradia e um grande galpão de máquinas. As pessoas que lá viviam apenas trabalhavam e na da mais, dividiam-se em turnos de 10 horas se alternando, e nunca viam a luz do dia.
A visão futurista desse filme coloca em duvida a questão se é possível existir um lugar como esse. Claro que pensando na arquitetura do local é algo totalmente inimaginável, mas sendo um pouco irônico, há um tempo atrás ninguém imaginava que o homem poderia voar em uma aeronave ou até mesmo chegar à Lua. O século XX foi repleto de invenções e avanços tecnológicos e a ambição do homem por continuar evoluindo será eterna.
O filme discute vários assuntos, entre eles Fritz Lang aborda questão social ao colocar essa
divisão literal de classes, algo que talvez a sua realidade já estivesse presenciando. A classe alta não se preocupa ou quer saber quem são os responsáveis pelo aumento de suas rendas, e também pouco enxerga uma falha no sistema. A classe baixa trabalha por obrigação de viver e se um dia ela vier a parar, como de fato acontece no filme, então a classe alta por sua vez virá a quebrar. Mas será que essa questão é só fantasia do filme ou isso acontece nos dias de hoje também?
Outro ponto de auge no filme ocorre quando o administrador da cidade pede para um cientista fazer um clone da mulher que representa a sabedoria na Cidade dos Trabalhadores, e faz desse clone o espetáculo nos bordéis da alta classe. Analisando esse ponto temos um exemplo do quanto o homem é criativo e ignorante ao mesmo tempo, utiliza a tecnologia contra si quando poderia melhorar a vida de toda sociedade.
Conclusão
Algumas necessidades realmente são imprescindíveis como meios de acesso a todos sem discriminação, porém outras são totalmente desprezáveis como a própria cidade subterrânea em Chicago já que essa opção não será de alcance de todos e a superlotação continuará. O avanço da tecnologia ainda faz com que o homem se torne refém dela, uma vez que ele continua pensando em si. As tecnologias mudam, já a forma de pensar do homem é a mesma.



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